Quanto vale um software seguro e confiável?

O desenvolvimento de um software, desde sua concepção até o momento em que entra em produção, não é uma tarefa trivial e nem para amadores. Os custos associados a profissionais, metodologias, certificações, investimento em seleção, recrutamento, formação e treinamento de pessoas, infraestrutura, documentação, gerenciamento de equipes muitas vezes distribuídas fisicamente fora do local do desenvolvimento, sem falar nas idas e vindas dos requisitos que mudam por necessidades legais, mudanças na estrutura e funcionamento do cliente, por falhas na elicitação entre outros, tornam essa atividade de alto risco e resultados incertos.

Quem desenvolve para terceiros sabe que além dos custos inerentes da atividade ainda existem riscos associados às entregas, atrasos, não conformidades com requisitos, falhas entre outros, que podem, facilmente levar um orçamento superavitário ao caos total se não houver uma forte gestão em cima dos recursos e cronograma.

Para mostrar o quanto isso é relevante, as estatísticas sobre projetos de TI mostram que 50% do tempo dos programadores é desperdiçado em retrabalhos e que o custo de acertar um erro depois que o software entra em produção é 100 vezes maior do que tivesse sido detectado antes, ou seja, o retrabalho, que é uma das consequências do planejamento incompleto ou insuficiente pode ser responsável pelo insucesso do projeto.

Acontece que, como o retrabalho não aparece claramente na planilha de custo, apenas no cronograma, até porque são poucas empresas que apropriam corretamente as horas dos seus profissionais nos projetos, muitas empresas preferem remediar do que prevenir, mas se a opção fosse prevenir? Será que as empresas sabem como fazê-lo?

Nesse contexto entram os serviços de qualidade e teste de software, e aqui vale muito a pena ressaltar que, esses são serviços altamente especializados e de resultados comprovados. Uma bateria de teste planejada e bem especificada se traduz em mais qualidade ao software, diminuição do tempo previsto no cronograma para as entregas, e redução do orçamento final do projeto.

É desconfortável ver a fisionomia dos CIO quando falamos em fábrica de teste, metodologia de teste, gerente de projetos de testes e equipe de qualidade. O sentimento é que tudo isso é uma loucura, afinal para muitos o que importa é o desenvolvimento e o software “pronto”.

Apesar de não ser assunto novo, teste de software ainda causa estranheza a muitos que militam na área de software e talvez a grande quantidade de reclamações dos usuários seja reflexo desse desconhecimento e não uso desse serviço de altíssima relevância para o resultado final de um software.

Uma equipe bem dimensionada de teste de software possui um gerente de projetos de teste, analistas de teste, analistas de qualidade, testadores e equipe de PPQA, e apresenta resultados concretos e muito positivos, mas também custa caro, qualidade custa caro.

Mas afinal, o que é custar caro? Entregar um software sem bugs que representem riscos ao negócio do cliente, que responde em tempo hábil às solicitações dos usuários, que protege os dados dos usuários contra ataques e impede que o mau uso do usuário deixe o software vulnerável, que se consegue realizar um teste de aceitação com sucesso e subir o software em produção sem problemas vale alguma coisa para o CIO? Ou é melhor que o cliente mesmo vá testando, registrando os problemas e a equipe de desenvolvimento se “virando nos trinta” para resolver tudo em tempo reduzido e com muito estresse?

Se computarmos todos esses custos de retrabalho no desenvolvimento e os prejuízos para a imagem da empresa, e compararmos com o custo relacionado a ter uma equipe ou empresa garantindo essa qualidade, veremos que o dito popular do “barato que sai caro” cabe muito bem nesse cenário.

É preciso que os tomadores de decisão das empresas que desenvolvem software mudem seus olhares para as questões relacionadas a qualidade. A qualidade não pode ser entendida como algo a mais no desenvolvimento de software, ela faz parte do desenvolvimento, ela é inerente ao processo de produzir software que funcione a contento.

A evolução dos meios de comunicação, a conectividade das pessoas e empresas, a evolução dos Smartphone e os milhares de aplicativos disponíveis no mercado apontam para um caminho sem volta, a sociedade conectada é uma realidade e a confiança que os usuários depositam nos Apps e nos softwares de uma forma geral não pode ser quebrada sob pena de colocarmos em dúvida a credibilidade de todo esse modelo de serviços e informações que movimentam e desenvolvem as empresas e países através da tecnologia de informação e comunicação. 

Em um mercado altamente competitivo e globalizado não existe salvação para uma empresa de software que não passe pela qualidade dos seus entregáveis.